
Santiago transforma resíduos em oportunidade e se torna referência nacional em inovação pública
Em Santiago, no Rio Grande do Sul, a inovação pública deixou de ser discurso e passou a fazer parte da rotina da cidade. Por meio do Pila Verde, do Pila Azul e do Banco Pila, o município estruturou uma política pública integrada que conecta gestão de resíduos, sustentabilidade, inclusão social e fortalecimento da economia local.

Fonte: https://brasilcompostacultiva.org.br/santiago-rs/
Criado em 2020 e instituído por lei municipal, o Pila Verde é um programa de moeda social que incentiva a separação correta de resíduos orgânicos. A cada cinco quilos de resíduos entregues nos ecopontos, o cidadão recebe créditos em moeda social, utilizados para comprar alimentos diretamente na feira da agricultura familiar. Os feirantes, por sua vez, utilizam essa moeda para adquirir adubo produzido a partir do próprio resíduo orgânico, além de mudas e insumos, fechando um ciclo completo de economia circular.
Os resultados são concretos: entre 2020 e 2025, o programa recuperou mais de 800 toneladas de resíduos orgânicos e gerou uma economia estimada de R$ 478 mil aos cofres públicos, reduzindo custos com destinação em aterros sanitários, uma das maiores despesas do município.
Com a consolidação do modelo, Santiago avançou ainda mais e lançou o Pila Azul, voltado aos resíduos recicláveis. Nesse formato, materiais recicláveis são convertidos em benefícios sociais, como acesso ao transporte público, atividades esportivas, eventos culturais, cinema e campeonatos municipais. Todo o material coletado é destinado diretamente às cooperativas locais, fortalecendo a cadeia da reciclagem e gerando renda para dezenas de famílias. Incluindo toda a sociedade no impacto dos projetos; desde adolescentes a idosos.
Entre 2023 e 2025, o Pila Azul contribuiu para uma economia adicional de mais de R$ 486 mil, além de elevar o índice de reciclabilidade do município para 13%, acima da média estadual e nacional.
A política ganhou um novo patamar em 2024 com a criação do Banco Pila, o primeiro banco social municipal do Rio Grande do Sul. Desenvolvido em parceria com o Instituto E-dinheiro, o banco digitalizou completamente as moedas sociais, eliminando o uso de cédulas físicas. Hoje, os créditos do Pila Verde e do Pila Azul são depositados diretamente em contas digitais acessadas por aplicativo, promovendo inclusão financeira, transparência, controle e escalabilidade da política pública. Atualmente, o Banco Pila conta com mais de 2.600 contas ativas.
“O Banco Pila nasceu para unir sustentabilidade e fortalecimento da nossa economia local. É uma política pública inovadora que transforma resíduos em oportunidades, garante inclusão social e coloca Santiago na vanguarda da inovação”, afirma o prefeito Marcelo Gorski.
O reconhecimento veio em escala regional e nacional. A iniciativa já foi premiada em programas como o Prêmio Prefeito Empreendedor e foi destaque em reportagens nacionais e se tornou referência para mais de 100 municípios brasileiros.
Ao integrar o Programa TEIA Prefeituras, Santiago compartilha essa experiência com outros territórios, contribuindo para a disseminação de soluções replicáveis e conectadas aos desafios reais da gestão pública. Mais do que transformar resíduos em valor econômico, os Pilas mostram que é possível reposicionar políticas públicas como ferramentas de desenvolvimento, inclusão e qualidade de vida, colocando o cidadão no centro e a inovação a serviço do cotidiano.
Durante uma reunião realizada no âmbito do Programa TEIA Prefeituras, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Santiago, Sadi Gioda, destacou a importância da troca de boas práticas entre os municípios e o papel do TEIA como espaço de aprendizado coletivo.
Segundo ele, o interesse do município em compartilhar iniciativas como o Pila Verde vai além do reconhecimento institucional.
“Essas conexões de boas práticas é algo que a gente gosta muito. Não apenas para dizer que Santiago faz isso ou para uma “vaidade institucional", mas principalmente porque queremos ver essas iniciativas replicadas e também aprender com o que outros municípios estão fazendo. O TEIA é um ambiente muito propício para isso, para criar um ecossistema onde existam políticas públicas que ajudem a reduzir barreiras e mostrar que inovação não é apenas aplicativo ou tecnologia, mas aquilo que faz diferença na vida das pessoas da nossa cidade.”
A fala reforça o entendimento de que a inovação pública acontece quando há troca, colaboração e abertura para replicar soluções que geram impacto real, valores centrais da jornada do TEIA Prefeituras.
